Eu quero.

Vou dizer o que quero…
   Quero orgasmos múltiplos. Quero estar nua no banho e ser assediada por você do nada, me prendendo contra o vidro enquanto me pega por trás. Quero rebolar em cima de você enquanto puxa meu cabelo e fala bem pertinho no meu ouvido coisas obscenas. Quero que, do nada você olhe nos meus olhos e me puxe pra um canto qualquer num lugar público e me beije intensamente enquanto levanta meu vestido. Não ligo, continua… Ninguém vai ver e se ver, amo platéia. Me leva ali escondido no banheiro ou em alguma sala vazia de algum canto qualquer e faça o que tem que fazer. Faça o que quero que faça. Apenas faça. Quero que seus lábios encontre os meus e os beije sem parar, ouvindo o meu grito de prazer sair pelos outros lábios ocupados apenas pelos seus dedos em contato com minha língua quente. Quero que ofegue no meu ouvido e diga que quer mais, me faça gemer alto o seu nome com seus tapas maravilhosos e aperte meus seios, mova seus dedos, e me faça empinar mais ainda pra você. Pode me chamar de louca, mas por mim ficaríamos fazendo isso a noite inteira, sem parar. Recuperaríamos o fôlego entre investidas lentas e prenderíamos o ar nas estocadas mais brutas. Vem, eu quero. Quero você beijando minhas pernas até chegar com esses lábios maravilhosos e essa barba grossa arranhando minha pele roçando em mim, me beije. Beije meus lábios úmidos apenas por sentir você tão próximo desse jeito. Suas mãos passando pelo meu corpo suavemente e me apertando possessivamente pelo menos por esse momento. E eu quero mais. Nada é suficiente nesse momento até conseguirmos um orgasmo que nos force a parar de tão esgotados.
Me faça gemer novamente. Tire-me as forças até que eu não consiga mais segurar as barras de ferro da cama enquanto estou de quatro pra você. Me dê um tapa forte em uma de minhas coxas e logo em seguida me alise possessivamente, entre em seu ápice e mela meu corpo com seu prazer quente escorrendo lentamente em mim. Olha no fundo dos meus olhos e veja o que eu quero nesse momento:

– Eu quero mais.

Você é louca.
O pior de tudo é que eu digo isso seriamente e você logo ri enquanto acende seu cigarro típico pós-transadas. Olha pra mim de canto e suspira levemente pegando suas coisas e já se arrumando pra ir embora sem ao menos se despedir.
Eu nem vou perguntar o porque, sei que você não é o tipo de pessoa passa a noite abraçado junto depois de uma bela transa como essa. Sei que de alguma forma, seu prazer não é o estar junto, é o aproveitar junto e se deliciar com o prazer do estar só. Egoísmo puro, apesar de que, louvável. Você só não é mais louca porque eu não te entendo por completo. O que me resta é apenas desfrutar de você e aproveitar o que você oferece à mim. Não como eu queria, mas por mim eu posso ficar de longe pra te apreciar. Apesar de que, mesmo de perto você não me deixa aproximar de verdade, acha muita babaquice desperdiçar um ato maravilhoso em algo maçante e uma rotina estranha para o seu ver. E eu respeito isso. Porque eu sei, você é louca. E eu te quero.

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Intensidade.

Quando dois corpos formam um só em um turbilhão de sentimentos e sensações…

E as mãos se entrelaçaram. Juntos, desceram à rua vazia naquela noite gelada até um canto isolado e silencioso, coberto pela relva, perto de uma árvore enorme e escura pela noite. A Lua caia timidamente sobre eles.
Os olhares eram tímidos e ansiosos. Ao parar próxima à árvore, a mulher fitou o rapaz à sua frente e sorriu. Um sorriso engraçado ao mesmo em puro desejo, e ele respondeu à altura quando a puxou para si. Roubando-lhe selares molhados enquanto as mãos não conseguiam parar-se por seu corpo esguio. Caminhando sobre seus seios fartos e meio rijos e provocantes, feitos perfeitamente para serem encaixados pelas mãos do rapaz. Inconscientemente, os lábios da mulher abriram-se e expulsaram todo ar que prendera ao sentir os carnudos alheios em seu pescoço. Os lábios quentes dele percorriam seu corpo, ao mesmo tempo que as mãos dele realizavam todo uma busca por ali, como se procurasse reconhecer cada centímetro daquela pele ardente.
Ela afastou-se por um momento para segurar seu blusão e, botão por botão, abriu-o e ofereceu, ao olhos deslumbrados do rapaz, seu corpo jovem, totalmente nu e cheio de calor.
E rapidamente as mãos deles estavam novamente coladas no corpo esguio dela. O calor da pele do rapaz parecia penetrá-la e ir agitar seu íntimo com violência. As mãos dele foram refazendo caminhos sobre as curvas insinuantes, tornando-a mais e mais ardente. Um volúpia incontrolável dominou-a. Os dedos percorriam pelos cantos onde tirava ofegos baixinhos da morena que quase gemeu ao sentir o frio bater em seus mamilos rijos e sua vagina molhada onde esta era acariciada pelos dedos do rapaz que, com a mão livre segurava seu seio onde ali, beijava com fome e vontade. Lambia e sugava fortemente o mamilo da moça que contorcia-se hora e outra cada vez que sentia seu corpo enfraquecer mais ainda pelos toques.

… … …

Por não aguentar mais, ele deitou. Ali mesmo no meio daquele verde, naquele frio gostoso, onde o movimento não existia mais. E eu, eu apenas sorri. Vi seu rosto rubro de desejo e seus olhos brilhantes e famintos em meu corpo nu. E ele ainda vestido. Sentei em seu colo calmamente e inclinei para beijá-lo. Não um beijo simples. Lambi seus lábios, suguei e mordisquei, deixei que nossas línguas brigassem por espaço enquanto minhas mãos davam-se o trabalho desabotoar a calça dele e retirar aquele membro rijo e pulsante finalmente para fora. E eu sorri em meio ao beijo.
Beijo aquele que, em vários selares desceram para seu pescoço e rapidamente, parei por um instante para tirar-lhe a regata escura. Logo os beijos continuaram. Canto por canto eu podia sentir aquele perfume maravilhoso de cravos misturados com qualquer outra essência que estava me deixando louca de tesão. Chegando perto de sua barriga, pausei. Uma pausa breve apenas para segurar firmemente o membro dele e começar a massageá-lo. E aí sim, voltei a beijá-lo. Um beijo molhado e quente, de delicioso e gosto que o fez praticamente gemer algo. Beijo que fazia minha boca subir e descer sobre sua glande grossa enquanto a mão o masturbava. E os dois movimentos intensos eram prazerosos. Mais prazeroso ainda era o contorcer de corpo que ele fazia para mim. Querendo me tocar, querendo mais ainda, ao mesmo que queria que eu continuasse. E eu continuei. Senti o gosto do seu íntimo pulsando para explodir em mim, mas não pensei duas vezes em sair e subir novamente em meu amado. Finalmente colocando seu membro grosso dentro de mim. Onde comecei a cavalgar rapidamente, inclinando novamente para dar espaço e fazê-lo ver a perfeição dos corpos encaixados.

A intensidade me preenchia, o calor, e seu tesão também faziam o mesmo…

Ela era a mulher mais linda do mundo. Aquela da qual você pode contar com qualquer tipo de coisa e não precisa de favores alheios de qualquer outra por aí pra fazer o que quer. Porque ela sim, é a melhor do mundo. Quando preciso de carinho, ela está lá. Quando preciso de sexo, ela está lá e quando preciso de amor ela também está. Se quero putaria, ela vira minha cachorra. Se eu quero formalidade, ela é uma princesa.

Somente minha.

E lá estávamos ambos deitados. Eu olhando para as estrelas no céu enquanto ela me beijava no pescoço com aqueles lábios grossos e macios. Logo não consegui olhar para mais nada a não ser sua boca me sugando como se fosse a coisa mais gostosa do mundo. Sendo doce ou não, ela amava. E de repente, ao meu ápice de explodir em prazer e amor, ela saiu. Olhei confuso e quase enlouquecido até sentir novamente o quente de seu interior. Este agora, por incrível que pareça, mais molhado que sua boca, macio e apertado. Gemi alto seu nome por um instante ao sentir seus movimentos que me deixavam ao ponto de entrar em delírios e talvez não conseguir voltar mais em sanidade. E um movimento a mais, apenas um, me fez gozar. Um gozar demorado e deliciado que fez me rir ao ver a loucura que fazíamos àquela hora. Ela deitou-se ao meu lado e fechou seu blusão, eu a puxei para mais perto e selei sua testa demoradamente.

Parece um sonho. Pode parecer apenas um conto qualquer ou outra coisa…

Mas é real.

Porque você é minha.

Seus olhos.
Tão grandes e brilhantes.  Que dá uma puta vontade de não parar de te olhar nunca. Nunca mesmo.

Teu corpo.
É tão maravilhoso que, me perdoe, não vou parar nunca de passar a mão em você, sentir sua pele macia, de te segurar firmemente e abraçá-la toda hora.

Tua alma.
Tão inspiradora quanto o paraíso. Eu sinceramente acho que você foi feita pra mim, e se não, você continuará sendo minha de todo jeito.

E você…
Seu rebolado maravilhoso, nosso roçar de corpos, sua bunda sensacional e me desculpa pelas palavras, mas você é gostosa pra caralho, é minha pra caralho e seu corpo só meu. Só eu tenho esses orgasmos maravilhosos com você e que só você consegue ter comigo.
Ofega no meu ouvido e diz que me ama, que me deseja.
Diga que as coisas não são como antigamente e que agora, somos interligados e nada irá nos separar.
Vou te colocar de quatro e puxar seus cabelos negros e me inclinar por um momento apenas para dizer que você é minha. Totalmente minha.
Te apertarei contra mim e te farei gemer abafado, apertando os lençóis vermelhos amarrotados e apertar sua cabeça contra o travesseiro macio…

Eu não consigo respirar.
Eu não sei se é pelas suas palavras, pela falta de ar ou pelas estocadas sensacionais que me faz sentir o quente do seu corpo dentro do meu.

Fala mais.
Senta na minha frente e me deixa te abraçar e fazer aquilo que você mais gosta.
Se segura, porque eu não quero terminar tão cedo… Não hoje. Não essa noite e nem nunca. Cada noite, cada dia é um momento diferente. Parece impossível depois de tanto tempo, mas eu continuo me apaixonando por você.

             Na cama como amantes, no dia-a-dia como meu homem, como namorado e como meu. Só isso que eu preciso falar.

Chama meu nome que eu vou.
Agora vamos tentar respirar o ar que perdemos nesse quarto e vamos relaxar.
Me passa o cigarro, vamos rir sobre bobagens e diga que me ama. E eu digo, mais uma vez…

Eu sou sua.

Fogo.

As coisas andam meio diferentes… E eu sinceramente estou amando isso. 

Eu não se é pelo fato de poder finalmente estar ao seu lado ofegando todas as noites em seu ouvido ou poder dormir em seus braços calmamente e, mesmo no frio, ficar quente.
Coisas oscilam na minha cabeça. Se não é mais um sonho perfeito daqueles em que quero dormir sempre me contorcendo em vontades ou se é apenas a realidade me dando um tapa me fazendo “acordar” e ver seus olhos em mim. Seus olhos brilhando e, em silêncio dizendo o quanto me deseja.

Me beija.

Sente o meu corpo enquanto eu fechos os olhos e viajo com minha alma. Viajo para longe onde ninguém pode nos pegar, nos machucar, interferir entre nós dois. Minha alma pura que encontrou a sua tão cedo e elas não irão se separar mais, não mais.
Sinta o quente em mim. Sou uma fogueira.
Mergulhe em mim e ofegue meu nome enquanto eu digo que eu te amo e você é apenas meu…
Ria pra mim no meio dos orgasmos tão belos e intensos, impossíveis de explicar, incríveis demais para falar, apenas vamos guardar para nós dois, e eternizá-los em nossos corações.
Diga que não vive sem mim e não consegue me imaginar longe de você. Diga que é louco pelo meu corpo, pelo meu eu, pelo meu espírito. Diz que meus rebolares te fascinarão cada vez mais, meus dramas e piadas bobas e sem graças lhe farão rir e que meus lábios são os mais gostosos do mundo em todos os casos, todos eles, diz pra mim.

Se eu te convidar pra fugir comigo, vem? Mesmo tão perto, me sinto longe do meu lugar.
Preciso conectar-me ao meu eu. E aí, logo que eu conseguir, te farei mais meu, mais parte do meu ser. É apenas uma questão de tempo.

Enquanto esse tal tempo passa, dorme comigo essa noite.
Me veja dormindo e me chame como quem não quer nada. Me abraça por trás e suspira no meu ouvido o que eu amo ouvir. Dorme comigo essa noite, mas antes me faça mais sua.
Tira minhas roupas e pare um momento – como você sempre faz – e diga que sou linda, sou sua. Sorria para mim. Faça aquele sorriso sincero e quase safado que eu tanto amo. Vem mergulhar em mim, sou sua fogueira.

E enquanto você vem, eu estarei lá fora, nos altos, te sentindo e, ao mesmo tempo viajando em delírios de prazer nesse paraíso maravilhoso que minha alma me proporciona ver. Me arranha, me aperta, me sinta ao máximo que puder e se libere totalmente em meu ser. E vamos nos tornar um só. Somos um só.
Sou um pedaço seu perdido nesse universo que graças aos seu poder incrível, me achou tão rápido.

E obrigada.

Escapismo.

As luzes daquela noite pareciam mais fortes e eu não conseguia respirar direito; eu não sabia bem se era pelo fato de estar na cobertura de um apartamento de mais de 20 andares ou por você estar roçando atrás de mim duro como uma pedra enquanto eu estou apreciando a paisagem maravilhosa lá fora. Meu vestido um pouco acima do normal e meu fio dental de lado, meus lábios não conseguem se fechar, meus outros lábios mais úmidos que qualquer outra coisa inexplicável por culpa dos seus dedos inquietos. Eu realmente não consigo respirar direito e você não me ajuda. Eu não quero ajuda, pode vir. Pode continuar. E é por isso que eu disse que gosto de vinhos, os mais doces. Nos deixam altos, no ponto certo.

E aí, Bon Iver nos dá um empurrãozinho, você sorri de canto e cuida do resto. Literalmente, não é mesmo? Quando me viro de frente pra você, para agora finalmente não olhar mais a cidade lá fora da janela meio aberta e sim seus olhos brilhantes e vidrados em mim, eu ofego baixo.

Seu terno meio desajeitado e meu vestido de cor esmeralda cada vez mais pro alto; não sei nem mais onde está a minha calcinha, e eu não ligo, sinceramente hoje não ligo pra mais nada. Eu te quero – digo em voz alta. E você simplesmente acena em uma confirmação simples e praticamente óbvia, desabotoando sua camisa branca e, quando termino de te ajudar a tirar seu paletó negro e camurçado com cuidado, novamente nossos olhos se encontram e eu deixo minha destra percorrer gentil e calmamente seu tórax, abdome e finalmente, chegando próximo à sua sua calça, desfiro-lhe um arranhão moderado com as unhas vermelho cintilante abaixo do seu abdome. Sorrio com seu arrepio, gemido baixo e seu apertar de olhos, e antes abrir sua calça, eu sei que você me entende… Eu sei que você sabe.

Ela entrelaça os braços no pescoço do rapaz enquanto as pernas o abraça pela cintura e assim ele a segura firme pelas coxas grossas e macias caminhando calmamente entre os beijos longos e ardentes pela sala, quase esbarrando pela mesa de jantar onde as velas ainda acesas estavam ali, ainda derretendo-se em silêncio, as taças de vinho meio cheias, meio vazias, a garrafa não mais por ali. Os passos demoram-se até chegar à sacada, onde a vista é bem mais linda do que a janela enorme de onde estavam. Chegando ali, ele a apoia na mesa e se encaixa no meio de suas pernas. Puxa seu vestido para cima suavemente, despindo-a finalmente e sorri. Um sorriso sereno que a faz abaixar o olhar apenas para retirar as últimas peças de roupa que ele ainda possui, exibindo seu falo grande, pulsando na mão pequena da mulher que sorri de canto para si mesma, apertando ali leve e carinhosamente em uma investida simples e uma menção para que ele se aproximasse. Mas antes disso, houve uma certa negação da parte do rapaz e uma interrogação da parte da moça que o fitou seriamente e quase brutalmente.

Ele sorriu. Mostrando os dentes brancos e enfileirados enquanto, bruscamente, virou a mais nova de costas para si, fazendo-a apoiar-se, no muro da sacada e empinar-se para trás, com os joelhos apoiados à mesa. A vista era maravilhosa, os carros, motos e pessoas passavam lá embaixo enquanto ela ofegava em surpresa, luzes apagando e acendendo à todo momento e finalmente, ele a penetrando.

Senti os tapas mais deliciosos da minha vida e eu não sabia se eu gemia alto pelas investidas, gritava o nome dele pelos puxões no meu cabelo ou se gritava simplesmente por prazer de tudo. Do tudo. De estar sentindo o ar livre, de esta nua e ainda por cima transando, em delírios praticamente no meio da multidão e ninguém poder me ver e eu poder ver todo mundo, poder ver tudo.
E quando eu sair daqui, promete lembrar de que cada investida não foi em vão. Não esqueça dos sussurros, dos suspiros. Cada estocada enquanto eu gemia seu nome e você se perdia em delírios, (aqueles que você admite depois que só eu consigo te provocar), não se esqueça de quando me sentiu apertada em você, rebolando daquele jeito que você tanto ama.
De nada, eu quem agradeço.

As luzes da cidade são perfeitas, não? É por isso que amo a noite. As estrelas. O ar livre. A multidão lá fora, mas prefiro a calmaria aqui dentro. E incrível. É por isso que amo fugir assim de tudo e me encontrar em você, com você. Acho que já falei isso mas vale repetir, assim como Gabito Nunes falou uma vez em seus poemas “Como dois corpos não ocupam o mesmo lugar, eu saio do meu pra você poder entrar.”
Finalmente acho aquela calcinha perdida, mas decido nem colocar. Te fito de soslaio cansado, jogado no sofá e em vez de me despedir, “tchau até outro jantar, outra noite qualquer até lá!”, resolvo me sentar e você, em vez de rejeitar pelo cansaço, me agarra, beija meu pescoço e solta um sussurro engraçado.

“Fica comigo esta noite é não te arrependerás. Lá fora o frio é um açoite, calor aqui tu terás.”

Começo a rir. É incrível como alguém consegue fazer tudo que amo; realiza meus desejos, me põe em devaneios, me tira ofegos, e diz coisas que, sinceramente… Volta aqui.
Vamos tomar um banho agora, suar depois, suar agora e tomar banho depois. Vamos suar no banho.

Vem, as luzes ainda estão brilhando lá fora.

Fugitiva.

mymind

Poderei eu algum dia não ter medo de você hora alguma? Fazer o que que eu quiser fazer, andar onde eu quiser andar. Pular o quanto eu quiser pular. Comer, fumar, beber, rodar, fazer arte, tudo! Sem ter medo de você. Sem ter medo de ser achada ou encontrada, ali no meio do nada. Sem ter medo do dia marcado chegar e eu for descoberta, tachada, marcada… Por você. Entrar pro seu mundo e não poder sair mais. Mergulhar nos medicamentos “inofensivos” e depois não conseguir mais me dar conta de que, sem eles, não vivo mais. Com medo estou passando pelas horas. Cada minutos me faz trincar mais os dentes, rangê-los infantilmente e rosnar como um cachorro ameaçado. Medo ridículo. Medo do ridículo. Sem coragem alguma. Lá se vai ela. Cadê? Depois de descobrir resultados piores sobre uma coisinha qualquer que nem ao menos falaram direito p’ra amenizar as minhas noites preocupadas dali à frente, aqui estou eu agora. Morrendo de medo.  Com medo estou passando pelas horas até você me achar.  Já começamos a batalha, e eu te encontrei depois de todos esses anos sem você me abandonar. Poderei eu estar 100% um dia e sorrir para as paredes por tal motivo? Poderei eu algum dia passar na frente desse lugar e não parar ali por nada desse mundo, porque eu estou bem? Poderei eu, algum dia, na minha vida fazer tudo que quero sem restrição alguma? Poderei eu, não ter dores, não ter isso ou aquilo, não sentir medo ou simplesmente -por favor- não ser eu?

À flor da pele: Entre desejos e devaneios.

Eu poderia percorrer caminhos que nunca vi ou conheci sem medo algum de voltar pra casa. Me doaria aos céus, me jogaria para a natureza e ofegaria pelo simples. Abriria meus braços para a chuva como boas vindas em vez de cruzá-los junto ao meu corpo, como eu sempre fazia quando dava-me por vencida pelo frio e pelas gotas gélidas que caiam pelo meu corpo. Eu poderia sair por aí, simplesmente por andar, sem me preocupar com nada. Com o nada. Sem problemas, sem pessoas, nada. Não olharia mais pelas grades das janelas no meu quarto vazio onde só ali me sentia segura. E nisso eu não estaria sozinha, estaria comigo. E isso seria o mais importante de tudo: Eu poderia me encontrar novamente.

Se eu pudesse, largaria tudo.

Todo pouco dinheiro, coisas que, para as pessoas são de valor (que pra mim, são apenas coisas) e deixaria tudo para trás e sairia. Procuraria um caminho onde seria meu. Eu escolheria um caminho longo. Faria meu futuro, se caso existisse esse tipo de coisa. não gosto de nada me manipulando mesmo que “pelos ares”. Pegaria um pedaço de cada lugar que eu iria e guardaria em minha mente. Nunca esqueceria; impossível. Eu andaria, mesmo cansada, procurando incansavelmente pelo meu lugar. Talvez eu poderia percorrer dias ali, e voltaria pelo mesmo ponto, transformando isso tudo em um ciclo. Mas eu não poderia saber sem tentar. É isso.