Escapismo.

As luzes daquela noite pareciam mais fortes e eu não conseguia respirar direito; eu não sabia bem se era pelo fato de estar na cobertura de um apartamento de mais de 20 andares ou por você estar roçando atrás de mim duro como uma pedra enquanto eu estou apreciando a paisagem maravilhosa lá fora. Meu vestido um pouco acima do normal e meu fio dental de lado, meus lábios não conseguem se fechar, meus outros lábios mais úmidos que qualquer outra coisa inexplicável por culpa dos seus dedos inquietos. Eu realmente não consigo respirar direito e você não me ajuda. Eu não quero ajuda, pode vir. Pode continuar. E é por isso que eu disse que gosto de vinhos, os mais doces. Nos deixam altos, no ponto certo.

E aí, Bon Iver nos dá um empurrãozinho, você sorri de canto e cuida do resto. Literalmente, não é mesmo? Quando me viro de frente pra você, para agora finalmente não olhar mais a cidade lá fora da janela meio aberta e sim seus olhos brilhantes e vidrados em mim, eu ofego baixo.

Seu terno meio desajeitado e meu vestido de cor esmeralda cada vez mais pro alto; não sei nem mais onde está a minha calcinha, e eu não ligo, sinceramente hoje não ligo pra mais nada. Eu te quero – digo em voz alta. E você simplesmente acena em uma confirmação simples e praticamente óbvia, desabotoando sua camisa branca e, quando termino de te ajudar a tirar seu paletó negro e camurçado com cuidado, novamente nossos olhos se encontram e eu deixo minha destra percorrer gentil e calmamente seu tórax, abdome e finalmente, chegando próximo à sua sua calça, desfiro-lhe um arranhão moderado com as unhas vermelho cintilante abaixo do seu abdome. Sorrio com seu arrepio, gemido baixo e seu apertar de olhos, e antes abrir sua calça, eu sei que você me entende… Eu sei que você sabe.

Ela entrelaça os braços no pescoço do rapaz enquanto as pernas o abraça pela cintura e assim ele a segura firme pelas coxas grossas e macias caminhando calmamente entre os beijos longos e ardentes pela sala, quase esbarrando pela mesa de jantar onde as velas ainda acesas estavam ali, ainda derretendo-se em silêncio, as taças de vinho meio cheias, meio vazias, a garrafa não mais por ali. Os passos demoram-se até chegar à sacada, onde a vista é bem mais linda do que a janela enorme de onde estavam. Chegando ali, ele a apoia na mesa e se encaixa no meio de suas pernas. Puxa seu vestido para cima suavemente, despindo-a finalmente e sorri. Um sorriso sereno que a faz abaixar o olhar apenas para retirar as últimas peças de roupa que ele ainda possui, exibindo seu falo grande, pulsando na mão pequena da mulher que sorri de canto para si mesma, apertando ali leve e carinhosamente em uma investida simples e uma menção para que ele se aproximasse. Mas antes disso, houve uma certa negação da parte do rapaz e uma interrogação da parte da moça que o fitou seriamente e quase brutalmente.

Ele sorriu. Mostrando os dentes brancos e enfileirados enquanto, bruscamente, virou a mais nova de costas para si, fazendo-a apoiar-se, no muro da sacada e empinar-se para trás, com os joelhos apoiados à mesa. A vista era maravilhosa, os carros, motos e pessoas passavam lá embaixo enquanto ela ofegava em surpresa, luzes apagando e acendendo à todo momento e finalmente, ele a penetrando.

Senti os tapas mais deliciosos da minha vida e eu não sabia se eu gemia alto pelas investidas, gritava o nome dele pelos puxões no meu cabelo ou se gritava simplesmente por prazer de tudo. Do tudo. De estar sentindo o ar livre, de esta nua e ainda por cima transando, em delírios praticamente no meio da multidão e ninguém poder me ver e eu poder ver todo mundo, poder ver tudo.
E quando eu sair daqui, promete lembrar de que cada investida não foi em vão. Não esqueça dos sussurros, dos suspiros. Cada estocada enquanto eu gemia seu nome e você se perdia em delírios, (aqueles que você admite depois que só eu consigo te provocar), não se esqueça de quando me sentiu apertada em você, rebolando daquele jeito que você tanto ama.
De nada, eu quem agradeço.

As luzes da cidade são perfeitas, não? É por isso que amo a noite. As estrelas. O ar livre. A multidão lá fora, mas prefiro a calmaria aqui dentro. E incrível. É por isso que amo fugir assim de tudo e me encontrar em você, com você. Acho que já falei isso mas vale repetir, assim como Gabito Nunes falou uma vez em seus poemas “Como dois corpos não ocupam o mesmo lugar, eu saio do meu pra você poder entrar.”
Finalmente acho aquela calcinha perdida, mas decido nem colocar. Te fito de soslaio cansado, jogado no sofá e em vez de me despedir, “tchau até outro jantar, outra noite qualquer até lá!”, resolvo me sentar e você, em vez de rejeitar pelo cansaço, me agarra, beija meu pescoço e solta um sussurro engraçado.

“Fica comigo esta noite é não te arrependerás. Lá fora o frio é um açoite, calor aqui tu terás.”

Começo a rir. É incrível como alguém consegue fazer tudo que amo; realiza meus desejos, me põe em devaneios, me tira ofegos, e diz coisas que, sinceramente… Volta aqui.
Vamos tomar um banho agora, suar depois, suar agora e tomar banho depois. Vamos suar no banho.

Vem, as luzes ainda estão brilhando lá fora.

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Fugitiva.

mymind

Poderei eu algum dia não ter medo de você hora alguma? Fazer o que que eu quiser fazer, andar onde eu quiser andar. Pular o quanto eu quiser pular. Comer, fumar, beber, rodar, fazer arte, tudo! Sem ter medo de você. Sem ter medo de ser achada ou encontrada, ali no meio do nada. Sem ter medo do dia marcado chegar e eu for descoberta, tachada, marcada… Por você. Entrar pro seu mundo e não poder sair mais. Mergulhar nos medicamentos “inofensivos” e depois não conseguir mais me dar conta de que, sem eles, não vivo mais. Com medo estou passando pelas horas. Cada minutos me faz trincar mais os dentes, rangê-los infantilmente e rosnar como um cachorro ameaçado. Medo ridículo. Medo do ridículo. Sem coragem alguma. Lá se vai ela. Cadê? Depois de descobrir resultados piores sobre uma coisinha qualquer que nem ao menos falaram direito p’ra amenizar as minhas noites preocupadas dali à frente, aqui estou eu agora. Morrendo de medo.  Com medo estou passando pelas horas até você me achar.  Já começamos a batalha, e eu te encontrei depois de todos esses anos sem você me abandonar. Poderei eu estar 100% um dia e sorrir para as paredes por tal motivo? Poderei eu algum dia passar na frente desse lugar e não parar ali por nada desse mundo, porque eu estou bem? Poderei eu, algum dia, na minha vida fazer tudo que quero sem restrição alguma? Poderei eu, não ter dores, não ter isso ou aquilo, não sentir medo ou simplesmente -por favor- não ser eu?

À flor da pele: Entre desejos e devaneios.

Eu poderia percorrer caminhos que nunca vi ou conheci sem medo algum de voltar pra casa. Me doaria aos céus, me jogaria para a natureza e ofegaria pelo simples. Abriria meus braços para a chuva como boas vindas em vez de cruzá-los junto ao meu corpo, como eu sempre fazia quando dava-me por vencida pelo frio e pelas gotas gélidas que caiam pelo meu corpo. Eu poderia sair por aí, simplesmente por andar, sem me preocupar com nada. Com o nada. Sem problemas, sem pessoas, nada. Não olharia mais pelas grades das janelas no meu quarto vazio onde só ali me sentia segura. E nisso eu não estaria sozinha, estaria comigo. E isso seria o mais importante de tudo: Eu poderia me encontrar novamente.

Se eu pudesse, largaria tudo.

Todo pouco dinheiro, coisas que, para as pessoas são de valor (que pra mim, são apenas coisas) e deixaria tudo para trás e sairia. Procuraria um caminho onde seria meu. Eu escolheria um caminho longo. Faria meu futuro, se caso existisse esse tipo de coisa. não gosto de nada me manipulando mesmo que “pelos ares”. Pegaria um pedaço de cada lugar que eu iria e guardaria em minha mente. Nunca esqueceria; impossível. Eu andaria, mesmo cansada, procurando incansavelmente pelo meu lugar. Talvez eu poderia percorrer dias ali, e voltaria pelo mesmo ponto, transformando isso tudo em um ciclo. Mas eu não poderia saber sem tentar. É isso.